Precisão na Agricultura

Na agricultura tradicional, o planejamento e o gerenciamento de uma cultura se baseiam em dados médios. Ou seja, dada uma área visualmente homogênea, coletam-se amostras de solo e monitoram-se pragas e doenças para que sejam recomendados os fertilizantes, corretivos, defensivos e irrigação, de acordo com índices médios encontrados naquela área. 

Essas áreas homogêneas recebem o nome de talhões, sendo comum em grandes culturas a adoção de talhões com variações de tamanho, desde dezenas até centenas de hectares. Ocorre que nessas áreas há variabilidade de todos os tipos, que podem gerar desperdícios, uso desnecessário de poluentes, bem como interferência na produtividade agrícola.

Até a década de 90, a tentativa de se trabalhar com áreas menores era dispendiosa e pouco eficiente, demandando demarcações físicas no espaço, inviável para grandes culturas mecanizadas.

Nos últimos anos tivemos a popularização de duas tecnologias, o Geographic Information Systems (GIS), que é um sistema de armazenamento de dados de posições geográficas com os seus atributos (concentração de nutrientes, porcentagem de infestação de pragas e doenças e produção) e o Global Positioning System (GPS), que provê informação sobre o posicionamento de equipamentos em coordenadas de latitude, longitude e altitude.  Essas duas tecnologias viabilizaram a possibilidade de uma agricultura mais precisa. 

A combinação de GIS (disponível em um microcomputador) e GPS (em dispositivos portáteis), aliada às recomendações adequadas para cada fração da área, resulta na definição de uma área homogênea com uma precisão de dezenas de metros quadrados, mil a dez mil vezes menor que um talhão tradicional. Isso se chama “agricultura de precisão”, que permite a utilização racional de recursos como água, fertilizantes e defensivos agrícolas, bem como saber a resposta em produção dessas “micro” áreas.

Para tanto, os tratores e implementos agrícolas estão se transformando, incorporando sistemas embarcados de informação acoplados a dispositivos coletores, analisadores e atuadores, permitindo dosagem dinâmica, ou seja, aplicação de produtos de acordo com cada posicionamento.

Dentre os tipos de sensores utilizados para coleta de informações, um exemplo interessante é o sensor ótico para evidenciar deficiências minerais por meio da análise de coloração das folhas das plantas. O processo se inicia com uma varredura completa do talhão para a coleta de dados. Depois disso percorre-se novamente a área, quando o sistema – previamente alimentado com dados dessa área - controla o dosador da adubadora de precisão e da aplicação do fertilizante, sendo possível fazer a adubação somente nas plantas deficientes, otimizando a aplicação e evitando o gasto desnecessário de produtos.

A tecnologia aplicada no muncípio de Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, propiciou em 2007 uma redução de 30% no uso de fertilizantes e aumento em 9% a produtividade de grãos. No setor sucroalcooleiro do Estado de São Paulo, essa tecnologia já é adotada em pelo menos 56% das usinas pesquisadas pela ESALQ.

Hoje, com os recursos naturais cada vez mais escassos e recursos tecnológicos cada vez mais presentes, a agricultura de precisão é fundamental para o crescimento da produção eficiente de alimentos em grande escala, reduzido o desperdício e a agressão ao meio ambiente.

Hugo Rozestraten é certificado como Especialista de Sistemas de TI na IBM Brasil, e atua como Arquiteto de Soluções de outsourcing.

Data de Publicação: 00/00/0000 às 00:00hs
Fonte: Brodeur Partners 

https://www.portaldoagronegocio.com.br/artigo/precisao-na-agricultura